Gaga, um espaço de escuta e liberdade!

Gaga é um tipo de linguagem de movimento desenvolvida e criada por Ohah Naharin. Esta técnica é baseada na compreensão e pesquisa de movimento, através da conexão entre o corpo e a mente.

Gaga é uma ferramenta nova na pesquisa e procura do “eu” individual de cada um através do corpo e do seu movimento. Esta técnica encoraja, ensina e cultiva a tradicionalidade, a eficiência e textura do movimento, o uso da força explosiva, a conexão entre o prazer e o esforço, a rapidez, clareza na intenção do gesto e stamina. Permite que cada um descubra o seu tipo de linguagem e ajuda na aquisição/descoberta de novos movimentos. Gaga permite a cada um conhecer as suas próprias fraquezas e potencialidades, assim como responder a esses mesmos desafios. Através do tipo de trabalho desenvolve-se a compreensão e o controlo  dos movimentos instintivos.

Segundo Ohah Naharin este é um processo muito intimo e pessoal, que pode ser aplicado não só a bailarinos como a qualquer tipo de pessoa sem background em dança. Este método não é um estilo, nem “dancetraining“, pois não há passos a aprender, coreografia a apresentar, é um espaço pessoal de encontro consigo mesmo. “Dançamos porque nos movemos” afirma Ohah Naharin, mas o objectivo da técnica Gaga é melhorar a sua interpretação, a escuta do seu corpo e a descoberta de novos movimentos. Há quem diga que é um processo terapêutico.

Para Ohad Naharin é fundamental não recorrer ao espelho, algo que pode condicionar a exploração de movimento. Segundo ele, não recorrer ao espelho implica que o bailarino recorra às suas sensações e consiga ter uma maior consciência do espaço que o rodeia e da percepção do outro. Se o objectivo é potenciar tudo isto, então não se pode estar a olhar para nós próprios no espelho.

Não é acerca do que se vê e observa, é acerca do que se sente!

Para quem quiser experimentar uma aula deverá ter em atenção os seguintes aspectos: 

Nunca parar: Este tipo de método é uma sessão completa sem paragens. As instruções são dadas de forma sequencial, onde há uma suposta construção de acumulação de informação, isto é, uma nova instrução não anula a anterior. É importante não parar mesmo que se esteja cansado, assim aconselha-se a quem não conseguir continuar no mesmo ritmo, que diminua o volume de trabalho.

Escutar o corpo: É importante dar tempo ao corpo para incorporar as instruções de forma gentil. Numa primeira abordagem não se deve experimentar tudo de forma excessiva, deve-se saborear a qualidade de movimento, a sensação de que se está à procura. A ideia é procurar o prazer no movimento e não a dor. Nos momentos de esforço deve-se tentar manter a ideia inicial de prazer.

Awareness: Fica atento e concentrado. Deixa-te inspirar pelo professor e pelos outros participantes. Tenta ter consciência do espaço e dos outros, para teres o espaço necessário.

Silêncio: Durante a aula não deves falar. Se tiveres alguma questão guarda-a para o final da aula.

Pontualidade: As aulas começam sempre a horas, por isso deves chegar no mínimo 15 minutos antes para poderes relaxar e preparar o corpo para acolher a aula. Os primeiros momentos da aula são importantes para poderes prosseguir de forma gradual na aula. Se chegar atrasado não poderás entrar na aula.

Nota: O trabalho é realizado ou descalço ou com meias.

Aqui fica um testemunho…

sobre a experiência de movimento numa aula de Gaga Technique:

No Gaga Summer Intensive de 2016, em Barcelona, de 16 a 21 de Julho tive a oportunidade de poder experimentar esta técnica, com a Aya, Guy Shomroni e Bosmat Nossan no Institut del Teatre, Diputació de Barcelona.

Esta semana foi sobretudo um espaço de descoberta pessoal, em termos de metodologia de trabalho assim como de pesquisa e exploração de movimento. Tivemos oportunidade de fazer aulas de Gaga, de aprender reportório especifico da Batsheva Dance Company (https://batsheva.co.il/en/home) e ainda da parte da tarde pudemos realizar algumas sessões de improvisação às quais eram atribuídas o nome de Metodologias, devido aos inputs que eram colocados para estimular a criação de movimento.

Algo que me surpreendeu logo à primeira vista foi o método usado para a transmissão de conhecimento e qualidade de movimento. No inicio da aula o/a professor/a colocava-se no centro e começava lentamente a transferir o peso de um lado para o outro com uma qualidade de movimento tão especifica que o nosso olhar transpunha de forma directa para o nosso corpo essa mesma forma de mover. O movimento era simultaneamente acompanhado de palavras, que incitavam uma maior e mais profunda pesquisa. Durante a aula o objectivo  era manter sempre cada parte do corpo activa e embrenhada na qualidade de movimento pedido, qualidade esta que advinha sobretudo da inscrição de sensações, tais como a passagem de uma corrente eléctrica por cada veia do nosso corpo, a reacção ao frio, a pressão da gravidade que penetrava os nossos ossos, os músculos que se movimentavam sem recorrer à força muscular e apenas aos ossos, entre muitos outros. Para alcançar estas formas de mover eram constantemente referidos termos que tinham por detrás um conceito bastante especifico, como são o exemplo de LAVA, MAGMA, LENA (“the engine between the navel and the groin, and a source of power for movement”), LUNA, YOYO (“sucking your cheeks together but with your stomach and rectum”), BOYA (“spaghetti in boiling water”), MIKA (‘‘pulling bones out of soft flesh”), entre outros.

Este tipo de aula veio proporcionar muitas experiências ricas em diversidade de cores, sensações, texturas, dinâmicas, pontos de partida e chegada. Pude aumentar a minha capacidade de awareness, de ruptura com movimentos pré-concebidos e descobri novas ferramentas que têm como intuito manipular e desenvolver movimento. Como maior aprendizagem trago comigo a importância de potenciar a sensação e o saborear de cada movimento do nosso corpo por mais pequeno que este possa ser.

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Fotografia de grupo do Gaga Summer Intensive 2016, em Barcelona

Um artigo interessante: ” Twisting Body And Mind “, in The New York Times


Este artigo é baseado nos sites:

e no seguinte artigo:

  • Della, A. (2015). Going Gaga for Ohad Naharin, in T MAGAZINE.  Consultado a 16 Janeiro 2016, em http://www.nytimes.com/2015/09/19/t-magazine/ohad-naharin-dance-profile.html?_r=0.

3 opiniões sobre “Gaga, um espaço de escuta e liberdade!

  1. Olá! Vim parar aqui através de uma pesquisa que estou fazendo para trabalhar a linguagem da dança e da poesia com alunos do ensino médio. Eu e uma colega nos inspiramos numa artista de Recife (PE), chamada Flaira Ferro. Ela trabalha com o improviso, com essa escuta que há no movimento. Agora acabei me deparando com a técnica Gaga, assisti o documentário e percebi que são basicamente a mesma coisa. Caso não conheça, recomendo que conheça o trabalho de Flaira.

    Abraço!

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